Tratamento osteopático na síndrome do túnel do carpo

TRATAMENTO OSTEOPÁTICO NA SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO

Fonseca, S. A. ; Bortolazzo, G.

Especialização em Fisioterapia Osteopática / Curitiba

Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos – CBES

Resumo – A síndrome do túnel do carpo tem se tornado um problema de saúde pública e ocorre mais freqüentemente em pessoas economicamente ativas. Trata-se de um estudo de caso, que investigou a contribuição da osteopatia para o tratamento de paciente portador de síndrome do túnel do carpo bilateral crônica, porém leve. Os métodos de avaliação utilizados foram a versão brasileira do questionário DASH e eletroneuromiografia dos membros superiores, antes e após a aplicação do protocolo de osteopatia. Observou-se melhora significativa da capacidade funcional acompanhada em menor proporção pelos achados da eletroneuromiografia.

 

Introdução

A síndrome do túnel do carpo (STC) é causada pela compressão do nervo mediano e constitui a neuropatia periférica mais comum nos membros superiores (TAYLLOR-GJREVE et al., 2007).

Os principais sintomas da STC são parestesia e dor ao longo do território do nervo mediano. Mas também podem apresentar alterações sensoriais em todo o membro ou dor que se irradia para o braço ou ombro (BLAND, 2008).

O tratamento osteopático manipulativo e os exercícios de alongamento têm mostrado resultados promissores quando associados a outras terapias para o tratamento da síndrome do túnel do carpo, como confirmado por melhorias na condução nervosa e achados de imagem na ressonância magnética (SUCHER et al, 2005).

 

STC1

Objetivo

Avaliar a contribuição da osteopatia para o tratamento do paciente portador de síndrome do túnel do carpo.

 

Materiais e Métodos

Estudo de caso, paciente de 48 anos, sexo feminino, branca, professora, STC bilateral e crônica, mão direita dominante.

A paciente foi submetida aos exames de ENMG dos membros superiores e aplicação da versão brasileira do questionário DASH “Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand” (ORFALE et al., 2005), antes e após o tratamento osteopático.

A paciente foi submetida ao tratamento osteopático uma vez por semana, totalizando dez sessões de osteopatia.

O protocolo osteopático utilizou-se de técnica de snap em flexão para o punho, técnica articulatória para os ossos do carpo, técnica de stretching do ligamento anular, dos escalenos, do peitoral menor e do pronador redondo; e técnicas para tratamento da primeira costela posterior, clavícula em rotação anterior, cervicais baixas, lateralidades do cotovelo.

Resultados e Conclusão

Os resultados da velocidade de condução obtidos na ENMG antes da osteopatia indicavam disfunção mielínica sensitiva dos medianos, nos segmentos do punho, leve à direita e um pouco mais acentuada à esquerda.

Observou-se melhora na velocidade de condução dos nervos medianos bilateralmente, com aumento de 7,6% no direito e 16,7% no esquerdo.

O escore obtido inicialmente ao questionário DASH foi de 45 pontos osteopático e após o tratamento osteopático obteve uma redução de 50% da pontuação inicial, obtendo escore final de 30 pontos.

Concluiu-se que as técnicas de osteopatia podem contribuir de modo eficaz para a diminuição dos sintomas da síndrome do túnel do carpo, mas contribuem de modo menos significativo na melhoria dos componente estruturais.

 

Referências Bibliográficas

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